sábado, 17 de outubro de 2009

O despertar do espirito empreendedor

Empreendedorismo
Dando asas ao espírito empreendedor
Idalberto Chiavenato
3ªEdição|2008

O despertar do espírito empreendedor
(Caderno Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Sebrae-SP)
Autores: Paulo Pamplona e Lucas Telles
Data de Publicação: 06/10/2005
Cresce o número de cursos destinados a auxiliar pessoas a aproveitar os próprios talentos.
Os empreendedores Antônio Ventura e Gislane Mesiara concordam em uma coisa: o sucesso de um projeto empresarial não depende apenas dos valores empregados como capital inicial, mas de qualidades humanas como a paixão e o saber. Ventura, proprietário do Varejão Araguaia , em São Bernardo do Campo (SP), diz que deve seu sucesso ao tempo dedicado ao estudo sobre o ramo do projeto que desejava empreender. Já Mesiara, sócia diretora da empresa de paisagismo Gica Paisagismo , de São Paulo (SP), atribui sua vitória frente à Gica ao amor associado ao trabalho.
Embora vontade e conhecimento sejam recursos habitualmente mais abundantes que o capital inicial, com freqüência são ignorados pelos empresários. O verdadeiro empreendedor, muitas vezes, desconhece seu talento. Graças a isto, cresce a cada ano o número de cursos e palestras com o propósito de despertar o espírito empreendedor naqueles que possuem este perfil. Somente o Sebrae-SP realizou, em 2004, 91 cursos do Empretec, que contaram com a participação de 1.694 empresários.
Renato Fonseca, consultor de orientação empresarial do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), diz que a procura pelos cursos de empreendedorismo é cada vez maior. "O mundo todo caminha para o empreendedorismo. É um assunto que está presente em todas as coisas, é uma forma de geração de postos de trabalho, de autonomia, que as pessoas querem conhecer", diz Fonseca.
Segundo o consultor, o Brasil é um dos países mais empreendedores do mundo. "Nós temos dois tipos de empreendedorismo: aquele baseado na oportunidade, isto é, no atendimento às necessidades do mercado, na inovação, na criação de riquezas; e um segundo tipo, baseado na necessidade, em que a pessoa, para sobreviver, começa a fazer algum tipo de negócio - aí entra a questão da informalidade."
Rotinas necessárias
Para formar o perfil de empreendedor, Fonseca costuma sugerir a criação de rotinas, a fim de que a pessoa exercite um determinado comportamento. "Para desenvolver redes de contatos, pode-se fazer uma agenda mensal para freqüentar alguns eventos importantes a que você não iria, mas em que conheceria muitas pessoas. Ou, então, criar a meta semanal de ligar para três pessoas com as quais você não conversa há muito tempo. São coisas simples que a gente vai trazendo para a prática", explica.
Contudo, o consultor alerta: muitos empreendedores estreantes se empolgam excessivamente e, às vezes, ignoram os riscos implícitos em cada negócio. "As pessoas têm de ter consciência de que empreender, no sentido de criar uma empresa, não é tarefa simples. Há que estudar bem o segmento em que se quer atuar, para que se tome uma decisão consciente. É preciso evitar ao máximo falsas expectativas", avisa. A capacidade de lidar com adversidades é um talento fundamental e decisivo, pondera. "Já vi pessoas quebrarem a cara. Mas não dar certo é inerente à vida do empreendedor: os riscos fazem parte do jogo. O empreendedor absorve o fracasso e começa de novo o negócio. Pode ter empresas com três negócios dando certo e um, não. Mas tem aquele camarada que não está preparado para criar uma empresa. Às vezes até dá certo, mas a chance é grande de dar errado", avalia.
Para Fonseca, uma das principais causas do fechamento de muitas empresas é a falta de planejamento no início do negócio. "O aprendizado vem muito da vida prática, mas antes é preciso ter algumas informações para ter uma noção - é como dirigir um carro: requer conhecimento dos conceitos básicos", diz.
Plano de negócio
Para o consultor Roberto Belucci, também do Sebrae-SP, o planejamento é a principal arma do empresário antes de iniciar o empreendimento, para conhecer seu campo de ação e prosperar. "O planejamento deve ser formalizado em um documento, o plano de negócios. Quanto mais detalhado, melhor o preparo do negociante e maiores as chances de obter sucesso", afirma.
O documento, diz Belucci, deve ser feito mesmo depois de aberta a empresa, para ser seguido, consultado e constantemente modificado. Segundo o consultor, o plano deve abordar a oportunidade de negócio que motiva a abertura do empreendimento, a viabilidade, as tomadas de decisão, a implantação do negócio, a sustentação e o projeto de crescimento. "Uma empresa nunca pode parar de crescer. Quando o proprietário se satisfaz com seu negócio, o mesmo não acontece com os concorrentes, e a empresa tende a decair".
O detalhamento deve estar presente em todos os pontos. "Uma questão fundamental é conhecer o cliente, o que ele quer comprar, quantos potenciais consumidores estão presentes no raio de ação da empresa, qual é o nível de consumo deles, o volume de compras, como podem ser convencidos a comprar de uma empresa e não de outra". Outras questões que devem ser desenvolvidas, diz Belucci, são os produtos a serem oferecidos, o conhecimento da concorrência e dos fornecedores, a estratégia de vendas e de comunicação com o mercado.
Segundo o consultor, a gestão da empresa é um assunto que deveria ser melhor tratado pelos empresários. "É necessário dividir as funções com clareza, como vendas, contabilidade, serviço de banco, e cada pessoa deve se aprimorar nas tarefas que deverá realizar. Um planejamento simples costuma reduzir o número de empregados ou, então, possibilitar um aproveitamento melhor dos que já estão envolvidos."
O diferencial do empresário com perfil empreendedor, diz Belucci, é que ele tem mais disposição para detalhar o plano e simular o funcionamento da empresa.
"O empreendedor de sucesso tem um perfil ousado, mas investe com segurança e, para isso, precisa se preparar e recorrer a profissionais especializados. Depois de iniciado o negócio, ele é que se dispõe a continuar buscando conhecer melhor seus consumidores, seus concorrentes, fornecedores e desenvolver estratégias para crescer.
(www. sebraesp.com.br)

Com 50 anos e sem patrão
O número de pessoas que abriram negócios quando já poderiam se aposentar (ou pensar em) dobrou desde 2001, com bons resultados: suas empresas faturam mais e têm vida acima da média nacional
Silvia Rogar
VEJA Edição 2068
9 de julho de 2008
Tradicionalmente, os 50 anos marcam o início da contagem regressiva para a aposentadoria – em especial no Brasil, onde o sistema previdenciário com base no tempo de contribuição permite que se deixe a labuta cedo, em comparação com o que acontece em países como Suécia e Inglaterra. Mas as estatísticas mostram que, ao longo desta década, o sonho de vestir o pijama e não ter hora para acordar vem sendo substituído pela vontade de escrever um novo capítulo na vida profissional. No Brasil, a virada dos cinqüentões é uma transformação palpitante do mercado de trabalho. Entre 2003 e 2007, esse foi o único grupo etário a aumentar sua participação na população ocupada, segundo a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mede a cada mês o emprego nas seis principais regiões metropolitanas do país. Ao contrário da maioria dos trabalhadores, que tem a carteira assinada por uma empresa do setor privado, as pessoas com 50 anos procuram não ter patrão. De acordo com a mesma pesquisa, em abril passado um terço desse grupo atuava por conta própria. Outros 9% eram empregadores, praticamente o dobro do porcentual geral entre os brasileiros inseridos no mercado. Seja por falta de opção ou senso de oportunidade, eles se dão bem: a renda mensal dessa faixa etária é 34,5% maior que a da média.
No ano passado, 17,5% dos brasileiros à frente de negócios em estágio inicial tinham entre 45 e 54 anos, segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), estudo internacional que destrincha o nível dessa atividade em 42 países. Para se ter idéia do crescimento, em 2001 eles representavam apenas 7% do total. A etapa nacional da mesma pesquisa, coordenada pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade, constatou que o país está entre os mais empreendedores do mundo: ficou em nono lugar no ranking que avalia o envolvimento da população adulta em novos negócios – à frente de Rússia, Índia e Japão, entre outros.
A niteroiense Elisa Santos Rosa, de 52 anos, contribuiu para essa estatística ao dar uma guinada em sua vida. Formada em psicologia, ela dedicou mais tempo à família que à profissão. Ao lado do marido, executivo de multinacional, viveu em Buenos Aires e, por fim, estabeleceu-se em São Paulo. Com os filhos na universidade, Elisa decidiu que era hora de trabalhar para valer. No fim de 2006, deparou com um produto que começava a fazer sucesso nos Estados Unidos, mas ainda era pouco conhecido no Brasil: o adesivo decorativo de paredes, criado para o consumidor que gosta de mudar o visual de casa com freqüência. Foi assim que surgiu a I.Stick, que hoje conta com quatro quiosques em shoppings, espaço próprio nas três lojas da rede paulista Etna e um bem-sucedido site de vendas, além de conceber decoração sob encomenda para empresas. O negócio começou a dar lucro no sétimo mês, muito antes do prazo previsto de dois anos. "Não entrei no mercado para brincar. Montei uma empresa sem espaço para amadorismo, porque não tenho mais tempo a perder", diz Elisa, que não descuida das metas e arregaça as mangas para limpar o chão e carregar caixas se for preciso.
A explicação para o fenômeno dos cinqüentões empresários está na combinação da inclinação dos brasileiros por empreender com o aumento da longevidade. Nos anos 1910, a expectativa de vida média no país era de 34 anos. Hoje, está em quase 73 anos. Atualmente, uma pessoa que chega aos 50 anos com saúde sabe que ainda terá muitos anos pela frente para fazer o que bem entender. "O brasileiro está vivendo mais e continua a ser empreendedor em todas as etapas da vida", diz Ricardo Tortorella, diretor do Sebrae São Paulo. Só em 2005, a instituição calcula que 20.847 pessoas com 50 anos ou mais abriram negócios no estado – 36% mais que em 2000. Essa disposição para trabalhar até mais tarde vem transformando o conceito de aposentadoria. "Até os anos 1960, ela era sinônimo de descanso. Passou a ser encarada como uma recompensa na década de 1970 e, nos anos 1980, como um direito. Hoje, é a oportunidade de recomeçar", diz David Baxter, da Age Wave, agência americana de pesquisa e consultoria focada no público sênior. Um estudo do grupo Merrill Lynch, feito nos Estados Unidos, confirma: 71% dos entrevistados querem manter algum tipo de trabalho na aposentadoria, e a maioria não cogita deixar o mercado por completo antes dos 70 anos. A decisão de permanecer na ativa pode traduzir-se numa velhice mais saudável. Muitos estudos relacionam a aposentadoria precoce ao encurtamento da vida, em decorrência de depressão, sedentarismo e stress causados pela mudança de rotina (para não falar da chatice crônica do pijamão, como sabem todos os que convivem com um desses em casa).
Empreender aos 50 tem algumas vantagens, mas se está sujeito às mesmas armadilhas de começar um negócio do zero em idade mais jovem. São erros comuns, entre todos os "calouros" do empreendedorismo, deixar de estudar o mercado em que se vai entrar ou não incluir no planejamento de gastos o montante necessário para o capital de giro. Mas adotar uma visão romantizada do negócio próprio é uma tentação a que o principiante de faixa etária mais avançada está especialmente exposto. Quem sonha com um bar ou uma pousada numa praia paradisíaca no fim da vida, em geral, não leva jeito para ser empresário. "Essa perspectiva não é compatível com um perfil empreendedor. É um grande erro acreditar que, por ser dono de um negócio, você vai levar uma vida mais calma", diz Paulo Veras, diretor da Endeavor, organização de incentivo a talentos empresariais do país. Encostar a barriga no balcão ou passar na empresa apenas alguns dias por semana são passos firmes na direção do fracasso. Inversamente, entrar num negócio preocupado apenas com o dinheiro que se vai ganhar, sem levar em conta o prazer que o trabalho pode proporcionar, é uma receita para a frustração.
Aos que estão convictos da oportunidade de mudar o rumo, e conscientes do desafio, resta ainda enfrentar o ceticismo alheio. Com três décadas de experiência no mercado financeiro, José Luiz Majolo, de 54 anos, foi tachado de maluco quando anunciou que largaria seu emprego. Explica-se: ele era vice-presidente do banco ABN Amro Real, posição que muita gente quer e da qual pouquíssimos teriam coragem de abrir mão – ainda mais para investir em um negócio "verde". Majolo passou meses desmentindo boatos sobre os motivos de seu desligamento, atribuído a desavenças e convites irrecusáveis da concorrência. No ano passado, ele criou a TerpenOil, fabricante de produtos de limpeza orgânicos e biodegradáveis e purificadores de ar, todos à base de uma substância natural extraída da laranja. "O país vive um momento mágico: o ambiente está favorável para tocar negócios e trabalhar com novas idéias. Por que não aproveitá-lo?", diz. A TerpenOil tem hoje clientes como o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e a Whirlpool (fabricante dos produtos Brastemp). Deve faturar 2,5 milhões de reais neste ano. Em 2011, Majolo pretende abrir o capital da empresa em bolsa.
Os componentes químicos da laranja nada têm a ver com a dinâmica de um banco, mas o empresário não era exatamente um marinheiro de primeira viagem: ele esteve à frente de ações socioambientais do Real. Segundo os experts, quanto mais domínio do ramo, maiores são as chances de um negócio dar certo. "O ideal é continuar numa área conhecida", afirma João Marcos Varella, consultor de carreiras da DBM, empresa especializada na transição de executivos, que mantém um núcleo para os que planejam montar empresas desde 2006. Além de serem frustrantes, decisões erradas doem mais no bolso de quem já não tem tanto tempo de refazer o capital para a velhice. A jogada do engenheiro capixaba Tito Moraes, 55 anos, foi arriscada. Em 2000, ele abriu uma distribuidora de cachaças artesanais, depois de aderir a um plano de demissão incentivada de uma subsidiária da Vale. Moraes nunca cogitou desistir do negócio, mas passou por maus bocados. Antes de descobrir que o melhor caminho era investir na distribuição, teve lojas e formatou uma franquia. "Ao longo do caminho, errei e acertei. No entanto, sempre usei minha maturidade para medir os passos que ia dar", diz. Sua empresa, a Tonel&Pinga, representa atualmente 300 rótulos da bebida e tem clientes de peso, como a rede de supermercados carioca Zona Sul. Desde 2003, vem crescendo entre 7% e 20% ao ano.
Quando a decisão de empreender não é apenas uma fantasia, os cinqüentões têm mais chance de sucesso que os mais novos. A Microsoft fez uma pesquisa na Inglaterra e constatou que 70% das empresas abertas por pessoas dessa faixa etária duram pelo menos três anos, enquanto apenas 28% das iniciadas pelos mais jovens têm a mesma longevidade. Isso porque os empresários de 50 anos, em geral, são cautelosos e estudam melhor a concorrência. Eles também costumam ter a seu favor o traquejo na gestão de pessoas e uma rede de contatos estabelecida ao longo da carreira, o chamado networking. De resto, é ter disposição para não desanimar com os obstáculos iniciais. Elisa Rosa dá a dica a quem planeja uma guinada como a dela: "Além de traçar metas de trabalho, é bom começar a fazer ginástica para agüentar o novo ritmo", diz ela, maratonista recém-convertida.
(veja.abril.com.br)

Um comentário:

  1. Paz meu Irmão!
    Muito bom "VIRADA DOS CINQUENTÕES" vou ver se adianto essa virada uns 10 anos...rsrsrsr
    Estou chegando no "QUARENTÃO"...rsrs

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